Colaço P. e Santos P. (2000). Poderá o teste de 2 velocidades explicar diferenças de performance em corredores de 800m? 8º Congresso de educação física e ciências do desporto dos países de lingua portuguesa - Livro de resumos: 28.
Objectivos: Os objectivos do nosso estudo foram: (i) verificar a sensibilidade do teste seleccionado para explicar as variações de prestação nos 800m; (ii) determinar as inter-relações entre os dados obtidos neste teste e a performance.

Material e métodos: A amostra foi constituída por 12 atletas juniores do sexo masculino, com uma média de idades de 18.6±0.5 anos, tendo todos garantido mínimos de participação para os campeonatos nacionais de juniores. Os atletas foram sujeitos a um teste realizado com um intervalo máximo de 7 dias relativamente à competição de 800m, para avaliação da capacidade anaeróbia láctica. Para esta avaliação recorremos ao teste de duas velocidades (T2v) (Mader et al, 1980), utilizando como distâncias 2x300m percorridas a intensidades de 80-85% e superiores a 95% da velocidade máxima, respectivamente. O tempo de recuperação entre cada patamar foi de 25 min. Após cada repetição foram obtidas amostras sanguíneas no lóbulo da orelha no 1º, 3º, 5º, 7º, 10º e 12º min de recuperação para determinação da lactatemia máxima. Foi ainda determinada a concentração máxima de lactato após uma competição de 800m (C800) utilizando os procedimentos anteriores.

Resultados: Os valores de lactato máximo após o teste de duas velocidade (LMT2v) e a competição de 800m (LMC800) foram de 14.52±1.46 mmol/l e 15.09±1.48 mmol/l, respectivamente. A velocidade de corrida nos 800m (VC800) foi de 6.76±0.20 m/s e a V4 determinada pelo T2v (V4T2v) foi de 6.36±0.36 m/s. A análise da regressão linear efectuada evidenciou um r=0.89 (p=0.0001) entre a VC800 e V4T2v. A correlação entre a melhor marca aos 800 e o LMT2v, não evidencia significado estatístico (r=0.30; p<0.05). Os resultados da regressão entre o LMT2v e o LMC800, (Y=1.63+0.93x) foram altamente significativos (F=47.55, p=0.0001): r2 = 83% e epe = ±0.65 mmol/l. Os resultados da regressão (Y=-6.03 +1.59x) entre a marca aos 800 e a V4T2v, revelaram uma correlação de 0.89 (p<0.0001).

Conclusões: As principais conclusões do nosso estudo foram: (a) Apesar da proximidade dos valores relativos ao LM obtido no T2v e na C800m, não foi encontrada uma relação causal entre estes dados e a prestação em 800m. Com efeito, os melhores atletas não são necessariamente os que apresentam uma maior acumulação de lactato após esforços máximos; (b) Adicionalmente, os corredores da nossa amostra evidenciaram uma fraca capacidade anaeróbia, traduzida por baixos valores de LM pós-esforço máximo, comparativamente aos valores referidos na literatura para especialistas nesta distância; (c) Os nossos dados sugerem que o T2v pode ser usado como um importante meio para avaliar a capacidade anaeróbia neste tipo de corredores, uma vez que o LMT2v (2x300m) está altamente correlacionado com o obtido após a competição (LMC800); (d) A elevada correlação entre a V4T2v e a VC800, permite sugerir que a primeira possa, eventualmente, vir a ser utilizada como preditora da prestação em 800m.