Rolim, R., Colaço P. e Garcia R. (2000). Considerações e perspectivas de abordagem do Atletismo na escola. Revista Horizonte. Vol XVI, 94: 33-39.
O atletismo é uma modalidade desportiva que reúne em si os padrões básicos e naturais dos movimentos ligados à espécie humana. Ou seja, o correr, o saltar, o lançar, acrescentados e enriqucidos pelo <<lutar>>.
A simplicidade da sua organização, a variedade de disciplinas que o compõem e respectivos desafios colocados por cada uma delas, faz com que o Atletismo tenha uma grande implantação em todos os continentes.
Porque cada disciplina faz apelo a uma diferente intervenção das capacidades motoras e mentais, indivíduos que reúnem em si características muito diferenciadas podem encontrar no Atletismo a diversão, o sucesso, ter os seus momentos de emulação, enfim, conhecer os seus limites e descobrir novos desafios.
Este facto observado no Atletismo, apesar de constituir inegável vantagem em termos educacionais face a outras modalidades, não vê isso traduzido no seu peso curricular nas aulas de Educação Física (EF), raramente ocupando um lugar importante no ensino básico (EB) e Secundário.
No essencial, são diversas as razões que poderão estar na base desta gradual perda de importância do Atletismo como modalidade desportiva escolar. De acordo com Digel (1997), parece ser aquilo que presentemente ocorrer também a nível internacional.
Apontar alguns eventuais motivos para tal facto é aquilo que nos propomos de imediato realizar, se bem que de uma forma sucinta.
Para além das directivas programáticas emanadas do Ministério da Educação para a área do Atletismo que, como é do conhecimento geral, são de horizonte muito reduzido, apresentando também, para além da escassa exigência, uma estruturação muito vedrtical muito pobre (consultar os programas de EF do 2º e 3º ciclos no site: http://canais.sapo.pt/educacao/professor/hfja/), as razões quando existem, para a fuga ao Atletismo poderão ser encontradas nos intervenientes e nas principais condicionantes deste processo e/ou na sua confluência.

1. Nos professores de EF, nos seus conhecimentos, nos limites e capacidades da sua intervenção, motivações, interesses, disponibilidades...
2. Nos alunos - nas suas características, particularidades...
3. No próprio Atletismo, nas suas características intrínsecas, entendidas no global e no particular de cada uma das suas disciplinas.
4. No contexto onde a acção decorrer envolvendo factores de ordem logística que cada escola apresenta, como sejam, a disponibilidade de espaços específicos, dce material, de carga horária, número de alunos por turma...
5. Na elevada oferta de práticas desportivas alternativas, aparentemente mais aliciantes, promovidas através de campanhas publicitárias bem urdidas juntos dos jovens. Todavia, dado os meios que estas <<novas propostas>> impõem e reclamam, mormente em termos de espaço, material e de segurança, a sua realização no meio escolar é muito pouco viável.