Valente G, Colaço P e Rodrigues dos Santos JA (2002). Caracterização técnica do lançamento do disco nos escalões de formação em Portugal. Treino Total, 8: 11-24.
Em Portugal o sector de lançamentos no atletismo tem sido tradicionalmente um dos que sempre apresentou um maior atraso relativamente aos países que dominam as grandes competições mundiais, nomeadamente os países do leste europeu.
A grande falta de treinadores aliada quer a um claro défice de formação técnica nos treinadores e atletas, quer a uma ausência de uma verdadeira escola de formação de treinadores são motivos frequentemente apontados para justificar este panorama.
Além destes atrasos bem evidentes, o sector de lançamentos constitui ainda uma das áreas menos estudada no atletismo nacional.
Deste modo, este trabalho tem como objectivo fundamental, contribuir para a detecção dos erros mais comuns apresentados pelos nossos jovens lançadores na disciplina de lançamento do disco, de modo a podermos levantar algumas questões acerca da formação técnica que tem vindo a ser realizada em Portugal.
Para tal, procedemos a filmagens de vinte dos melhores lançadores juvenis a nível nacional em situação de competição. Escolhemos para isso a prova mais importante do calendário competitivo nacional de juvenis, o respectivo campeonato nacional.
Utilizámos posteriormente um sistema de vídeo conectado a um sistema informático, para o respectivo tratamento das imagens,
Dos dados obtidos procedeu-se a análise qualitativa e quantitativa dos melhores resultados obtidos por cada um dos lançadores.
Foi dado um ênfase particular à duração das diferentes fases de lançamento, à distância entre os apoios durante a execução do lançamento, à velocidade, ao ângulo e à altura de saída do engenho e por último ao posicionamento do corpo durante o lançamento.
Do estudo realizado concluímos que os jovens lançadores portugueses não cumprem os requisitos técnicos mais básicos do lançamento do disco. O modelo técnico que apresentam revela erros de posicionamento dos segmentos corporais, deficiente cronologia e um ritmo inapropriado, revelando deficiências graves no seu processo de formação.
Tendo em conta a faixa etária destes jovens lançadores (16/17 anos) pudemos ainda concluir que os problemas da execução técnica determinados deveriam estar globalmente resolvidos em idades anteriores. Deste modo, estes dados sugerem-nos que o impacto futuro nos escalões seniores destes problemas não contribuirão para que o lançamento do disco se possa aproximar em resultados da elite internacional.