Rolim R, Marques A, Maia J e Colaço P (2002). Estudo sobre a participação competitiva de crianças e jovens com especial aptidão nas disciplinas de meio fundo e fundo do Atletismo. Congresso Desporto, actividade física e saúde - O contributo da ciência e o papel da escola. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto.
O treino e a participação competitiva de crianças e jovens no desporto federado tem merecido ultimamente a atenção de inúmeros investigadores de diferentes áreas do conhecimento. Não obstante, a pesquisa nas áreas metodológica e pedagógica continua a ficar aquém do desejado, nomeadamente no que concerne à caracterização e avaliação das categorias treino e competição, ou seja, sobre aquilo que factualmente se observa e realiza nas práticas do treino e da competição.
Em função desta carência, o presente estudo tem por objectivo analisar e caracterizar a actividade competitiva de crianças e jovens atletas que se vêm distinguindo nas disciplinas de meio–fundo e fundo (MFF) em Portugal.
Assim, com base no método da entrevista e posterior análise do conteúdo,
bem como através da análise de documentos (revistas da especialidade e
comunicados de provas), foram investigados 32 treinadores que
enquadravam tecnicamente uma amostra de 84 atletas, de ambos os
sexos, com idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos (escalões
benjamins a juniores), que vinham revelando especial aptidão nas
disciplinas de MFF. De acordo com o preceituado pelo quadro teórico
de referência para as idades cronológicas dos sujeitos, estes
enquadravam-se nas seguintes etapas de preparação desportiva:
ß 24 na Etapa de Preparação Preliminar (EPP);
ß 31 na Etapa de Especialização Inicial (EEI); e
ß 29 na Etapa de Especialização Aprofundada (EEA).
Entre os principais resultados obtidos sobre a actividade competitiva da
amostra e respectivo enquadramento nas etapas de preparação de prospectiva destacamos,
Relativamente à natureza das competições,
– para todas as etapas de preparação desportiva, uma participação a 100% em provas de MFF e uma esporádica e escassa participação em provas de carácter técnico.
Quanto à circunscrição geográfica da participação competitiva:
– 100% de participação em competições de âmbito distrital e zonal;
– uma importante participação em competições nacionais durante a EPP (42%) e EEI (97%).
No respeitante à quantificação da participação competitiva anual (média,
desvio padrão e valores mínimo e máximo) em provas de MFF VS provas
técnicas, obtivemos respectivamente:
ß na EPP - 25,67 ±5,3 (13-37) VS 1,2 ±1,8 (0-7);
ß na EEI - 30,97 ±8,1 (7-48) VS 1,65 ±3,2 (0-14);
ß na EEA - 34,0 ±6,8 (16-44) VS 0,76 ±2,2 (0-11).
Estes resultados indiciam nos sujeitos da amostra:
(1) uma excessiva participação competitiva unilateral em provas de MFF;
(2) uma evolução do enquadramento geográfico da participação
competitiva em discordância com o preceituado pelo quadro
teórico de referência para a EPP e EEI;
(3) uma especialização precoce, reconhecida através da participação
competitiva específica, sendo o denominador comum da quase totalidade dos elementos desta amostra.